segunda-feira, 30 de maio de 2011

Rio de Janeiro não passa no teste do Wi-Fi

Marcelo Alves passa o dia na serralheria no Santa Marta, em Botafogo, estudando pela internet para complementar o curso de Direito / Foto: Fábio Rossi / Agência O Globo
                                                         RIO - O Rio de Janeiro já deu os primeiros passos rumo a uma cidade conectada sem fio, mas a velocidade é baixa, as redes são instáveis e o acesso não é amplo, geral e irrestrito. Navegar na internet gratuitamente pela Cidade Maravilhosa é, muitas vezes, um exercício de paciência. Quando não, torna-se um desafio no melhor estilo "Onde está Wally?". É que as bolhas de acesso de Wi-Fi (internet rápida sem fio), especialmente as públicas, não são sinalizadas.
                                                        Reportagem do GLOBO testou, com laptop e iPhone, na última semana, pontos aleatórios pela cidade: comunidades carentes, orla, vias expressas, shopping centers, livrarias, cafés, restaurantes, aeroportos... A constatação é que falta muito ainda para garantir acesso em qualquer hora e lugar.
TWITTER :Siga o @DigitaleMidia                                                         Enquanto os moradores do Santa Marta, em Botafogo, acessam a internet sem dificuldades - independentemente do ponto em que estejam na comunidade -, os frequentadores da orla, do Leme ao Leblon, e os motoristas que transitam diariamente pelas avenidas Brasil e Presidente Vargas enfrentam uma verdadeira via-crúcis para entrar na rede. O secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio, Alexandre Cardoso, garante que a situação vai estar solucionada em junho, quando será contratada uma empresa de manutenção.
Vandalismo e oxidação dão 'pau' na rede- Vandalismo na Avenida Brasil e oxidação das antenas na orla são os maiores entraves que enfrentamos no Rio Estado Digital. Dos 58 quilômetros da Avenida Brasil, cerca de metade deles sofreu ataque de vândalos, que roubam os fios de fibra óptica - justificou Cardoso, explicando o porquê de o acesso nestes locais ser deficiente.
Operado em parceria com um pool de universidades, o projeto Rio Estado Digital é acessado diariamente por 27 mil usuários, dos quais quatro mil deles simultaneamente. A PUC é parceira do projeto na Rocinha, no condomínio do PAC em Manguinhos, no Santa Marta, na Cidade de Deus, no Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, na Rua Teresa e na Sernambetiba. Avenidas Brasil e Presidente Vargas, Morro da Providência, Porto Maravilha e Sapucaí estão sob a responsabilidade da Uerj, enquanto a UFF cuida da Baixada Fluminense; a UFRJ, da orla; e o Instituto Militar de Engenharia (IME), da Vila Militar.
- Não trago mais o laptop todos os dias para o trabalho, porque o Wi-Fi na orla de Copacabana não está funcionando há uns seis meses- comenta Willian Barboza, morador de Campo Grande, que costumava navegar na internet nos dias de chuva, quando os clientes tendem a sumir do quiosque onde trabalha, em frente ao Copacabana Palace.
Já Marcelo Alves, dono de uma serralheria, e a estudante Yzabelle de Assis Silva, ambos moradores do Santa Marta, não têm do que reclamar do acesso gratuito à internet. Na comunidade, o acesso é rápido. Ele usa laptop para estudar para o curso de Direito. Ela aproveita o Wi-Fi para enviar e-mail e navegar em MSN, Orkut e Google.
- Aqui a conexão é rápida e eu não tenho dinheiro para comprar um modem 3G - conta Yzabelle, que está desempregada e mora com a avó.
Escritório de consultor é dentro do shoppingO consultor de restaurantes Eduardo Felipe, por sua vez, é frequentador assíduo do Shopping Leblon. Morador do bairro, ele não se considera um consumidor compulsivo. Ao contrário. O que atrai esse carioca ao local é o serviço Wi-Fi gratuito oferecido pelo shopping.
Eduardo Felipe transformou o Shopping Leblon no seu próprio escritório / Foto: Gustavo Stephan / Agência O Globo - Como trabalho em casa, transformei o Shopping Leblon no meu escritório. Costumo dar expediente de sete a oito horas diárias - comenta Felipe, acrescentando que, de tão assíduo, nem precisa mais desligar o laptop e guardá-lo quando vai se ausentar por pouco tempo. - Tenho um modem 3G, mas acabo usando menos para economizar.
Alguns shoppings, como o BarraShopping e o New York City Center, não têm internet gratuita, mas muitas lojas oferecem o acesso sem cobrar. O mesmo ocorre no RioSul, onde restaurantes, lanchonetes e livrarias têm o serviço.
- A internet tem de ser entendida como um serviço básico - teoriza Ivan de Souza, que trabalha num empresa de serviços digitais. - O acesso no Rio ainda é pouco disseminado e a navegação, muito lenta.

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